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Receitas da Itália Para a Sua Casa por Alessandro Segato. É o nome do fantástico mimo que o porteiro acaba de me entregar. Trata-se de um livrão de receitas que me foi enviado pelo Clube L’Único, da Fiat. Se liga na parada:

Para receber este e outros mimos, basta preencher os seguintes requisitos:

1) Constar na lista negra de alguma agência de publicidade especializada em SOCIAL MEDIA

2) Média de 100 visitas diárias

3) Pagerank menor ou igual a 3

4) Média de tempo de permanência no site igual ou menor a 5 minutos

5) Adquirir um Fiat 500 ou Fiat Linea na concessionária mais próxima

Vou lá preparar minha insalatina tiepida di gamberoni. Como diria Aldo Reine, arrivederci!

Tu já deves ter assistido algum episódio de House M.D.. Trata-se de um seriado que tem como protagonista Gregory House (Hugh Laurie), nefrologista e infectologista que comanda o Departamento de Medicina Diagnóstica do hospital universitário (fictício) de Princeton-Plainsboro.

MAUS OUVIDOS ME FALARAM que o personagem foi levemente inspirado em Sherlock Holmes. House conta com uma equipe de três Watsons. Um negro, um judeu e uma mulher. Greg só recebe pacientes cujo diagnóstico parece impossível de determinar, daí o qualificado estafe. Os esforços dos seus asseclas, contudo, nunca valem a pena. House descobre tudo sozinho, num simples estalo, quase sempre até os 36 minutos de cada episódios. Geralmente isto ocorre no momento em que bebe água e percebe que os copos descartáveis não são mais tão bons quanto antigamente. Ou que, sei lá, o outono desse ano está levemente mais frio que o do ano passado.

House teve um probleminha na perna há um tempo e optou por não tê-la amputada, o que o faz sofrer com dores. E isso também fez com que ele começasse a se portar como um completo imbecil pelo simples fato de… estar com dor. É, eu sei, é uma merda estar com dor.

Estar com dor deu o direito do Doutor Fantástico se aproveitar das situações em que um pobre leigo se encontra numa situação de extrema vulnerabilidade para utilizar seus conhecimentos em medicina e… humilhá-lo. Sério que você pensou que ele iria curá-los? Ele até o faz, é verdade, mas não sem antes se aproveitar da situação sofrível do paciente para humilhá-lo, humilhar a família e os demais médicos da sua equipe.

House não é um personagem possível. Na verdade até é. Médicos arrogantes são mais comuns do que a gente pode imaginar, é bem verdade, e o nosso desejo de esfolar cada um deles é absurdamente proporcional. Afinal de contas, não vemos tanta graça em sermos humilhados por alguém que está sendo pago pra fazer o seu trabalho. Aproveitar-se de uma posição de vantagem  para humilhar alguém já é vergonhoso o suficiente. Em se tratando da relação medico-paciente, dada a vulnerabilidade do último, pior ainda.

O seriado é bem medíocre. De medíocre pra baixo, na verdade. E ainda tem gente – pasmem! – que adora se identificar com o protagonista. Quer gostar de House M.D.? À vontade. E isso, de fato, nem precisa ser justificado. Mas se for fazê-lo, gafanhoto, não diga que é porque você se identifica com o doutor.

É que assim, se você não for um médico genial, a única coisa que sobrará é o seu atestado de imbecilidade.

Já comentei inúmeras vezes da chatice que são os ateus praticantes. Estes ateus fanáticos, que praticam religiosamente a não-religião, conseguem ser tão ou mais engraçados que os próprios crentes. Essa eterna insistência em bradar aos quatro cantos que não existe um deus é bem similar aos gritos dos que crêem e que tentam te convencer a encontrar o caminho da fé.

Sabe quando tu diz que não acredita que exista uma força superior e aquele seu amigo crente diz que tu ainda precisas crescer espiritualmente? É a mesma coisa que os ateus fazem. Pelo menos em regra: costumam se sentir superiores por não acreditarem em amigos imaginários e mais superiores ainda ao encontrarem uma contradição na bíblia, livro que lêem mais rigorosamente do que qualquer crente.

Como se não bastasse a peculiar arrogância e os brados de superioridade, os ateus agora querem ser considerados os novos oprimidos. Se acham discriminados, como gays e negros, protestam pelo seu direito de não crer (como se este fosse violentamente reprimido diariamente) e acreditam – pasmem! – que a grande mídia (argh!) tem “medo” de pronunciar A PALAVRA. Com o devido perdão por mencionar o rapaz… Pelo amor de Deus, amigos!

Olha isso:

E o complemento:

É mole?

Parece que é uma onda súbita de vergonha que atinge a classe trabalhadora desse país. Ninguém quer ter a profissão que realmente tem. Pera, reformulando. Porque não querer ter a profissão que tem é comum até demais, desde que você não seja o Eike Batista. O que as pessoas não querem é que a profissão que elas têm sejam chamadas pelos… seus respectivos nomes.

Se tu vais numa agência de turismo, o rapaz te entrega um cartão profissional com a devida identificação: consultor de vendas. Claro. É que ele vai te prestar uma consulta que será fundamental para a compra daquele pacote para Punta Cana. Na imobiliária, todos são consultores imobiliários. Sabe quando você compra aquele apartamento fantástico? Não foi na mão de um corretor.  Tu seguiste o conselho do maravilhoso consultor. A comissão dele, é claro, não passa de uma contrapartida às geniais consultas respondidas com pareceres bem fundamentados em termos como “frente para o poente”, “excelente ventilação” e “vista permanente para o mar”.

No salão já não há mais cabeleireiros. Temos hair stylists e designer de sobrancelhas. Afora o uso desnecessário do inglês no primeiro caso, tem coisa mais ridícula que tentar reafirmar a importância da profissão mudando o nome pelo qual é conhecida? Caso similar é o dos analistas de social media, que se já não fosse um cargo sofrível em si mesmo, ainda tinha que ganhar essa nova denominação cafoníssima. Blogs não tem mais “donos”, tem editores. Quem escreve não é mais blogueiro, é colunista. E aquele post patrocinado é publieditorial, que das denominações alternativas parece ser a mais babaca de todas. E por aí vai…

Minha postura diante disso não poderia ser outra: continuo chamando pelo nome que a pessoa não gostaria de ser chamada. Dia desses, nas Lojas Americanas, encostei na  área de eletrônicos, fucei uns três televisores por conta própria e fiz a minha escolha. Olhei ao redor, não havia ninguém para amparar este lawyer carente de televisão. Acenei para o rapaz engravatado, que certamente ocupava um cargo mais alto que os demais, e ele prontamente me atendeu.

- Não tem nenhum vendedor aqui? – perguntei já UTQ irritado, até.

- Nós não temos vendedores, senhor… – responde o engravatado com uma certa grosseria.

- Então isso quer dizer que não vou poder compr… – ele interrompe.

- …nós temos atendentes.

- Então vai lá, chama um vendedor pra mim porque tô com pressa. – respondi.

Os grandes blogueiros do Brasil se acham por demais importantes. Acham que reinventaram a roda com aquela página virtual, que estão revolucionando o mundo das comunicações como o conhecemos, que merecem mais respeito e mais valor pelo árduo trabalho que desempenham.

Há um tempinho atrás, um dos grandes nomes desse mundinho escreveu um post reclamando que os blogs não eram valorizados aqui no Brasil. Afirmava, ainda, que enquanto o Engadget cobria a CES em Vegas com um verdadeiro QG, aqui os blogueiros gastariam mais pra cobrir o evento do que receberiam em retorno.

E isso é verdade, o coitado está coberto de razão. Os blogs nacionais de tecnologia não são valorizados. Mas não o são porque “quem não os valoriza é burro”. Não são valorizados porque não merecem todo esse valor, mesmo. Surpreendente, pra mim, que alguém consiga se sustentar com um desses blogs e isso é o máximo que se vai alcançar por aqui. Mais pés no chão. Quem tá pensando em enriquecer fazendo esse tipo de cobertura, pode começar a tirar o cavalinho da chuva. Não dá pra comparar com um Gizmodo ou um Engadget da vida.

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