Arquivos por mês: abril, 2010

Parece que é uma onda súbita de vergonha que atinge a classe trabalhadora desse país. Ninguém quer ter a profissão que realmente tem. Pera, reformulando. Porque não querer ter a profissão que tem é comum até demais, desde que você não seja o Eike Batista. O que as pessoas não querem é que a profissão que elas têm sejam chamadas pelos… seus respectivos nomes.

Se tu vais numa agência de turismo, o rapaz te entrega um cartão profissional com a devida identificação: consultor de vendas. Claro. É que ele vai te prestar uma consulta que será fundamental para a compra daquele pacote para Punta Cana. Na imobiliária, todos são consultores imobiliários. Sabe quando você compra aquele apartamento fantástico? Não foi na mão de um corretor.  Tu seguiste o conselho do maravilhoso consultor. A comissão dele, é claro, não passa de uma contrapartida às geniais consultas respondidas com pareceres bem fundamentados em termos como “frente para o poente”, “excelente ventilação” e “vista permanente para o mar”.

No salão já não há mais cabeleireiros. Temos hair stylists e designer de sobrancelhas. Afora o uso desnecessário do inglês no primeiro caso, tem coisa mais ridícula que tentar reafirmar a importância da profissão mudando o nome pelo qual é conhecida? Caso similar é o dos analistas de social media, que se já não fosse um cargo sofrível em si mesmo, ainda tinha que ganhar essa nova denominação cafoníssima. Blogs não tem mais “donos”, tem editores. Quem escreve não é mais blogueiro, é colunista. E aquele post patrocinado é publieditorial, que das denominações alternativas parece ser a mais babaca de todas. E por aí vai…

Minha postura diante disso não poderia ser outra: continuo chamando pelo nome que a pessoa não gostaria de ser chamada. Dia desses, nas Lojas Americanas, encostei na  área de eletrônicos, fucei uns três televisores por conta própria e fiz a minha escolha. Olhei ao redor, não havia ninguém para amparar este lawyer carente de televisão. Acenei para o rapaz engravatado, que certamente ocupava um cargo mais alto que os demais, e ele prontamente me atendeu.

- Não tem nenhum vendedor aqui? – perguntei já UTQ irritado, até.

- Nós não temos vendedores, senhor… – responde o engravatado com uma certa grosseria.

- Então isso quer dizer que não vou poder compr… – ele interrompe.

- …nós temos atendentes.

- Então vai lá, chama um vendedor pra mim porque tô com pressa. – respondi.

Os grandes blogueiros do Brasil se acham por demais importantes. Acham que reinventaram a roda com aquela página virtual, que estão revolucionando o mundo das comunicações como o conhecemos, que merecem mais respeito e mais valor pelo árduo trabalho que desempenham.

Há um tempinho atrás, um dos grandes nomes desse mundinho escreveu um post reclamando que os blogs não eram valorizados aqui no Brasil. Afirmava, ainda, que enquanto o Engadget cobria a CES em Vegas com um verdadeiro QG, aqui os blogueiros gastariam mais pra cobrir o evento do que receberiam em retorno.

E isso é verdade, o coitado está coberto de razão. Os blogs nacionais de tecnologia não são valorizados. Mas não o são porque “quem não os valoriza é burro”. Não são valorizados porque não merecem todo esse valor, mesmo. Surpreendente, pra mim, que alguém consiga se sustentar com um desses blogs e isso é o máximo que se vai alcançar por aqui. Mais pés no chão. Quem tá pensando em enriquecer fazendo esse tipo de cobertura, pode começar a tirar o cavalinho da chuva. Não dá pra comparar com um Gizmodo ou um Engadget da vida.

(mais…)

I just made $800,000 in Hong Kong gold. It’s been wired to you – play with it. You done good, but you gotta keep doing good. I showed you how the game works, now school’s out.

Wall Street (1987) é, de longe, o melhor filme do Michael Douglas. Em setembro deste ano estréia Wall Street 2: The Money Never Sleeps. Michael Douglas, Shia LaBeouf, direção do Oliver Stone e a participação especial do clássico Motorola DynaTac. Vê só o trailer:

Como todo pobre que se preze, comecei a jogar na Mega Sena. São 6 dezenas e probabilidade de ganhar é de uma em cinquenta milhões. Ou seja, já estou rico.

Agora vai uma super dica pra quem tá saindo de casa hoje e tem certeza de que vai ganhar, mas não vai ganhar sozinho: aposte duas vezes nas mesmas dezenas.

Explico. O prêmio é de 15 milhões. Você acerta as dezenas 4 8 15 16 23 42 e leva a bolada. Mas tu estás em Antares e tem um outro rapaz, em Cachoeira do Piriá, que também acertou estas dezenas obscuras. Vocês levam 7,5 mi cada. Que grande merda dividir o prêmio com um paraense, não é mesmo? É.

E aí a sacada mais genial desde a concepção do LHC: se tu apostares duas vezes na mesma dezena, tu podes levar 10 milhões e deixar o rapaz só com 5. Não é melhor assim? Acabas de pagar 2 reais por 2,5 milhões. Agora a explicação científica para o fenômeno: isto ocorre porque a Loteria paga para cada bilhete com as dezenas sorteadas.

Serão 3 bilhetes com as dezenas 4 8 15 16 23 42. O prêmio será de 1/3 para cada bilhete. No fim das contas, tu ficas com 2/3 (1/3 + 1/3, segundo minhas contas) e o terceiro vencedor só com… 1/3. Conforme aprendi no meu doutorado em matemática na Penn State University, 2/3 é o dobro de 1/3. Logo, 2/3 de 15 = 10 milhões e 1/3 de 15 = 5 milhões.

Parabéns, novo milionário.

Sem mais para o momento, coloco-me à disposição para eventuais esclarecimentos.

E passeando pela internets eu topo com um sensacional vídeo do melhor ator do mundo fazendo uma releitura da melhor música do universo. Yep: Trololo por Christoph Waltz, vencedor do Oscar mais merecido dos últimos 14 anos. Se você tá acordando agora do coma induzido, Waltz esteve no papel do glorioso SS Colonel Hans Landa em Bastardos Inglórios, o personagem nazista mais amado dos últimos tempos. É… veja o que o Tarantino fez com a gente.

Aqui tu conferes a entrevista completa do Waltz no Jimmy Kimmel.