Hamburgers caseiros para dummies
Eu nunca fui apaixonado por hamburgers. Burger King, Bob’s, McDonald’s, apesar de gostosos, sempre foram tratados como uma refeição qualquer. Em minha última visita a São Paulo, em maio desse ano, resolvi experimentar dois dos que dizem ser os melhores hamburgers da cidade. A ideia de pagar mais de 30 reais por um hamburger não me era muito cara, afinal nunca imaginei que poderia valer isso tudo.
A partir da minha experiência com o Ritz e o Bombom Deluxe, entretanto, a minha concepção acerca dos hamburgers começou a mudar. Me decepcionei com o Bombom Deluxe, mas o Ritz Burger me fez crer que isso é um troço que deve ser levado a sério. Resolvi aprender como se faz e, depois de algumas rodadas de hamburgers, posso dizer que acertei a mão.
Com uma leve pesquisada no Google, é possível tu ver que existem inúmeras receitas de carne de hamburger. E te sendo bem sincero, elas não variam muito umas das outras. Então aí vai, sem muita enrolação, a receita que julgo ideal de um belo hamburger caseiro:
A carne
Começando pela escolha da carne, vale a dica do caro Gravata: fraldinha. Patinho é carne magra, dura e sem gosto. A picanha de boa qualidade, mesmo depois de removida a capa de gordura, é bastante marmorizada, mas é cara e completamente dispensável para qualquer receita que não envolva brasa e sal grosso. Filé, apesar de macia, também é uma carne sem graça. A fraldinha é uma boa escolha.
Peça pro açougueiro limpar (bastante) 1,5kg de fraldinha (quantidade ideal para 6 hamburgers médios) e passar no moedor só uma vez. O tempero básico para essa quantidade de carne é um saquinho de 65g de Sopa de Cebola (Maggi) e um ovo. Receitas interwebs a fora recomendam o Creme de Cebola. Minhas experiências anteriores dizem que o Creme de Cebola Knorr é um tanto quanto forte: impregna a carne, rouba muito o sabor e dá má digestão.
Peneire a Sopa de Cebola e dispense as “cebolinhas” que vem misturadas ao pó. O ovo pode ser colocado numa xícara e batido levemente (movimentos circulares) com um garfo, até misturar clara e gema. Depois, mão na massa. É só misturar tudo até formar um troço bem homogêneo. A carne básica tá pronta: qualquer tempero, a partir daqui, vai da tua criatividade.
Para fazer os hamburgers propriamente ditos, tu podes utilizar forminhas, garrafa pet cortada ou simplesmente dois pratos. A última opção é a minha preferida, afinal tu podes variar o tamanho e espessura da carne de acordo com o teu gosto ou o tamanho do pão. Encha uma mão com carne e faça uma bola, prensando bastante. Em seguida, basta colocar a parada no centro de um prato e pressionar levemente a carne com o outro (de sobremesa). Recomendo que o prato seja liso (pra não deformar a carne) de vidro (pra que tu possa ver o tamanho que tá ficando).
Pronto, agora os bifes estão prontos e é só levar à frigideira ou grill. Deve ficar mais ou menos assim:

Cada uma de um tamanho, chapa
A carne pode ficar mal passada, ao ponto ou bem passada. Se tiver interesse em comer bem passada, basta fritar os hamburgers em fogo alto até o ponto em que eles param de sangrar. Com cuidado pra não queimar, claro. Particularmente, gosto do hamburger ao ponto: levemente torrado por fora, com o interior um pouco avermelhado.
Antes de passar pro sanduba – que é o que tu deve preparar primeiro, pra receber a carne em seguida, e agora eu percebo que meu post está cronologicamente comprometido – ainda há algumas coisas a serem resolvidas na frigideira/grill.
Se tu for usar queijo, é importante colocá-lo em cima das carnes e tampar. Em alguns minutinhos o troço tá todo derretido. Recomendo dois: cheddar e gorgonzola. Duas outras coisas podem ser acrescentadas: bacon ou pancetta. Já falei sobre a pancetta por aqui, ela é o grande segredo do Ritz.
O sanduba
Essa etapa é bem tranquila. Na banda inferior do pão, maionese ou Dijon. Na superior, uma camada de Heinz Chili Sauce. Pra quem curte salada, fatias finas de tomate e alface americana são uma boa ideia. Mas nada muito além disso, hamburger é comida de macho.

Quanto aos acompanhamentos: onion rings ou batatas fritas, já que não há a menor possibilidade de tu fazer um bolinho de arroz. Para temperar: ketchup e mostarda Heinz. Pra beber: Fanta Uva.
Divirtam-se. Abs
Obs: Se tu tens uma leve tendência a virar um burger nazi, recomendo esse site. São 30 pequenos cheeseburgers e um monte de ideias.
[UPDATE]
O DoisEspressos resolveu profissionalizar tudo e postou uma receita do que seria o seu hamburger perfeito. Sigam as dicas do rapaz, que entende mais disso do que eu.
phpones 10:51 on 24/08/2009 Permalink
Looks delicious. Um dia farei a do gravata e a sua versão “improved”.
Mas e aí, qual mod no seu burger mais te agradou? Com bacon? Com pancetta? O seu hamburguer final tinha o que?
PS: Ensine nós n00bs a preparar onion rings caseiros. Grato.
Pedro 01:54 on 25/08/2009 Permalink
Tentarei, garanto. Mas troco o ketchup e a mostarda Heinz por um molho barbecue dos bons. Só preciso encomendar.
Roberto 10:26 on 26/08/2009 Permalink
Certeza que não falta molho BBQ de qualidade aí em Brasília.
Meu hamburger perfeito (Regras & Dicas) « Dois Espressos 15:21 on 26/08/2009 Permalink
[...] de Maillard, Receita, Stella Artois, Wessel Pegando carona no post do @foradeorbita sobre hamburgers caseiros para dummies, preparei o que acredito ser um texto para novatos na culinária. No entanto, cabe um breve aviso [...]
O feitiço do Cheddar McMelt maligno | Olhômetro 19:56 on 09/09/2009 Permalink
[...] Resultado automático: o excesso de ingestão de Cheddars casou curiosamente com o surgimento de várias espinhas no meu rosto e de um mau-humor crônico, além de uma TPM mais descontrolada. Pra suprir essa voracidade por hambúrgueres sem me ferrar com hormônios de hambúrgueres industrializados, resolvi aprender a fazê-los. Segui uma mistura das dicas para hambúrgueres do Fred (esse hambúrguer com recheio de provolone é genial), do Gravata e do Roberto, do Fora de Órbita. [...]