Engodo molecular
A revista Restaurant já disponibilizou a lista dos que são, no ano de 2009, os 50 melhores restaurantes de todo o universo. Pra variar, o primeiro lugar ficou com o El Bulli do chef espanhol Ferran Adriá. Desde o início da publicação, em 2002, que o El Bulli tem seu lugar garantido no topo do ranking, sendo primeiro lugar em 2002, 2006, 2007, 2008 e 2009. Nas outras edições – salvo em 2005, quando foi primeiro lugar – o Fat Duck, do Heston Blumenthal, foi o segundo colocado.
- Oh, o que estes gênios têm em comum, além de ocuparem o topo dos rankings do Digg, BlogBlogs, migre.me e da revista Restaurant? Por que a fila de espera do El Bulli se extende por vários meses?
Simples: gastronomia molecular. Quer dizer, não tão simples assim.
Gastronomia molecular consiste no estudo dos processos químicos e físicos que envolvem o cozer dos alimentos com o objetivo de criar novos métodos, técnicas e equipamentos, ou simplesmente aperfeiçoar os já existentes. Alguém lembra do episódio de The Big Bang Theory em que o Sheldon compra dezenas de ovos e começa a fazer experimentos? Pois é, é isso.
Então, qual o barato nisso? Que a partir dessas novas técnicas, esses geniais Chefs passaram a fazer pratos um tanto… exóticos. E ficaram famosos por isso. Geléia de bacon, caviar de maracujá, spaghetti de parmesão, espuma de azeitona e milk shake de bouillabaisse são alguns exemplos.
Minhas conclusões?
1) Ferran Adriá é o Andy Warhol da gastronomia e isso não é um elogio.
2)

Mr. Prawiro 19:54 on 04/05/2009 Permalink
Outro dia o @trasel, autor do blog Garfada (http://www.trasel.com.br/garfada), escreveu sobre sua visita ao D.O.M, restaurante do Alex Atala em SP (Trasel pagou R$ 200 pelo menu degustação de 6 pratos).
Meu comentário foi o seguinte:
Não tive boas experiências com restaurantes que servem “um pinguinho de comida sem gordura em um prato enorme, enfeitado com algumas folhinhas coloridas e desenhos feitos com horríveis molhos insossos”¹.
Aposto de que daqui a 50 anos os chefs do futuro olharão para a virada do milênio e acharão graça da grande palhaçada que era fazer sorvete com nitrogênio líquido, usar um feixe de laser para vaporizar uma fava de baunilha e aromatizar uma taça onde era servido o vinho ou fazer espuma de feijão.
Ingredientes frescos e simplicidade ainda são o caminho.
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1. Anthony Bourdain, em “Afinal, as receitas do Les Halles – Nova York. Histórias, táticas e técnicas”
marcus 21:08 on 04/05/2009 Permalink
Ou não. Nunca me arrependi das experiências que tive com alta gastronomia.