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  • Roberto 02:14 on 31/12/2009 Permalink | Reply  

    Dos reencontros desnecessários 

    Eis que eu estava no mesmo ambiente que frequento todas as sextas, quando fui abordado por uma guria branquinha, de cabelos pretos e lisos, meio magra, mas com uma bundinha bem arrebitada e peitos relativamente grandes. A roupa com as costas nuas deixava eu ver uma tatuagem ali pelas costelas. Borboletas, eu acho. Numa primeira olhada, bem bonita. Com um pouquinho mais de atenção, era feia mesmo.

    Ela chegou toda assim, perguntando se meu nome era mesmo Roberto. Até aqui tudo bem, todo mundo se conhece nessa cidade. Ela também perguntou onde eu fiz o terceiro período. Respondi a faculdade, falei o curso e completei informando que me formei (de nada pela cacofonia) por lá mesmo. “Não, não, eu queria saber na escola”. Surpreso, pergunto… “tu queres saber onde fiz a alfabetização?”. Ela acenou e eu disse. Vai que ela me diz, depois de um abraço bem caloroso… “putz, já tem quanto tempo? uns 17 anos?”.

    Ainda não me recuperei.

     
  • Roberto 15:44 on 30/12/2009 Permalink | Reply
    Tags: , henry miller, trópico de câncer   

    Sigo em frente para engordar 

    “No meridiano do tempo não há injustiça, há apenas a poesia do movimento criando a ilusão de verdade e drama. Se, a qualquer tempo e lugar, algupem dá de cara com o absoluto, desaparece aquela grande simpatia que faz homens como Gautama e Cristo parecerem divinos; o terrível não é só os homens cultivarem rosas em um monte de estrume, mas, seja por que for, quererem rosas. Por algum motivo, o homem busca o milagre e para consegui-lo caminha em meio ao sangue. Ele vai se corromper com idéias, vai se restringir a uma sombra se, por apenas um segundo na vida, puder fechar os olhos para o hediondo da realidade. Aguenta tudo: desgraça, humilhação, pobreza, guerra, crime, ennui, acreditando que amanhã vai acontecer alguma coisa, um milagre, que fará a vida tolerável. E o tempo todo um medidor vai marcando, não há mão que consiga fazê-lo parar. O tempo todo, alguém come o pão e bebe o vinho da vida, algum padre sujo e gordo como uma barata escondida no porão se empanturra, enquanto lá em cima, na luz da rua, uma hóstia fantasma toca os lábios e o sangue é claro como água. Do tormento e miséria infinitos não vem nenhum milagre, nenhum vestígio microscópico de alívio. Só idéias, pálidas e atenuadas idéias que precisam ser fertilizadas por carnificina; idéias que surgem como bile, como as tripas do porco quando tiram a carcaça.

    Assim, eu penso que milagre seria se esse milagre que o homem espera eternamente não viesse a ser nada mais do que aqueles dois enormes cocôs que o fiel discípulo fez no bidê. E se no último instante, quando a mesa do banquete estiver posta e os címbalos soarem, de repente, aparecer (sem qualquer aviso) uma salva de prata na qual até os cegos possam ver que não há nada mais, nada mesmos, do que dois enormes montes de merda. Creio que isso seria mais milagroso do que qualquer coisa que o homem esperava. Seeria milagroso porque não-sonhado. Seria mais milagroso até do que o sonho mais louco porque qualquer pessoa poderia imaginar esta possibilidade, mas ninguém jamais imaginou nem provavelmente vai imaginar.

    De certa maneira, foi saudável pra mim entender que não podia esperar nada. Por semanas e meses, por anos, na verdade, por toda a minha vida eu esperava algo acontecer, algo intrínseco que mudaria minha vida e, naquele momento, de repente, graças à completa desesperança de tudo, senti-me aliviado como se tirassem um grande peso dos meus ombros.

    (…)

    É preciso enfiar-se na vida outra vez para ter carne. O verbo tem que se fazer carne; a alma está sedenta. Toda migalha que meus olhos virem, vou pegar e devorar. Se o que está acima de tudo é viver, então vou viver, mesmo se tiver de virar canibal. Até onde estou, tentei salvar minha preciosa pele, tentando preservar os poucos pedaços de carne que escondem meus ossos. Estou cheio disso. Cheguei ao limite. Estou com as costas na parede, não posso recuar mais. Até onde vai a história, estou morto. Se houver alguma coisa além, terei de saltar pra trás. Encontrei Deus, mas ele é insuficiente. Estou morto apenas espiritualmente. Fisicamente, estou vivo. Moralmente, sou livre. O mundo de onde saí é uma jaula. Amanhece um novo mundo, um mundo de selva onde os espíritos descarnados rondam com garras afiadas. Se sou uma hiena, sou descarnada e esfomeada: sigo em frente para engordar.

    Henry Miller, Trópico de Câncer, p. 96-99.

    Tenham todos um bom ano.

     
  • Roberto 19:57 on 09/12/2009 Permalink | Reply
    Tags: coração, mostarda escura, sanduiche, tabasco   

    Sanduba de Corazón 

    Boa noite, amigos. Decidi aprimorar minhas SKILLS culinárias através de uma técnica revolucionária chamada “faça um sanduba com o que você realmente gosta, mas não misture tudo ou você terá um Porco Pizza“. Tentando manter esta postura MINIMALISTA e evitando de fazer um sanduba de toscana, picanha e coração, escolhi o último como protagonista desta aventura gastronômica.

    Sempre fui muito fã de coração de frango. É aquela pecinha fundamental em todo churrasco, mas que nunca está presente em quantidade similar à de farofa e vinagrete. Para tirar gosto, então, cada coraçãozinho imerso em mostarda e tabasco é uma explosão de sabor. Nunca é o suficiente, em qualquer ocasião fica aquela sensação de QUERO MAIS. Ao X-Corazón, pois.

    Tu precisarás de aproximadamente 350 gramas de coração de galinha, alho, sal, mostarda, tabasco, dois pães franceses e Alejandro Sanz no stereo.

    O primeiro passo é deixar os corações limpinhos. Pra isso tu vais dar uma primeira lavada nos coitados, depois cortar o excesso de gordura que fica na parte de cima. Com um corte vertical, vais partir o coração ao meio (mas sem separar as duas bandas; isso deve expor os VENTRÍLOQUOS) e com os polegares vais remover qualquer sangue coagulado que eventualmente esteja ali. Depois de limpos e lavados, salgue os corações.

    Para fritar coloque um fio de óleo na frigideira anti-aderente, deixe esquentar um pouco e depois acrescente o alho amassado (uma colher de chá é o suficiente). Espere dourar enquanto o alho exala aquele fantástico cheiro que só tu e Ed Cullen podem sentir. Não deixe queimar (Cullen pode queimar sozinho, risos) e acrescente os corações. Não precisa cobrir, não precisa de muita firula. Primeiro os corações vão soltar uma água e depois vão começar a dourar. Tens de ter cuidado aqui para que não fique mal passado e também para que não fique assado demais.

    O sanduba é moleza. Com essa quantidade de coração tu podes rechear dois pães franceses médios com fartura. Passe mostarda nas duas bandas do pão (recomendo fortissimamente a ESCURA, se não tiver tu coloca a Heinz mas depois não vem reclamar) e derrame tabasco também nas duas bandas. Depois é só rechear com os corações.

    Algumas observações são pertinentes. Não acredito que coração de galinha HARMONIZE bem como ketchup. Também devo reforçar o tanto que esse troço fica bom com mostarda ESCURA. Acrescentar outros ingredientes vai só te ajudar a confundir o paladar: batata palha, qeiso, presunto, catupiry ou qualquer outra baboseira devem ser evitadas.

    Essa receita pode ser repetida exatamente com picanha ou toscana, mas uma de cada vez. Bom apetite.

    Obs: não tem foto do sanduba porque tirei do celular e ficou tristemente tosca. Vai uma da sobremesa:

     
    • Tonkiel 15:16 on 10/12/2009 Permalink

      Se acrescentar um ovo frito, existe a possibilidade de ficar mais gostoso?
      Abs

  • Roberto 23:48 on 24/11/2009 Permalink | Reply
    Tags: ahmadinejad, brasil, irã, lula, Política   

    Ahmadinejad em Terra Brasilis 

    Se você não estava congelado esses dias, já deve estar sabendo que o presidente do Irã desembarcou no Brasil nessa segunda-feira, dia 23, para ter uma conversa com o nosso querido presidente. Logo após a visita do Nobel da Paz Shimon Perez (presidente de Israel), não é de se espantar que a presença de uma figura como Ahmadinejad cause uma certa polêmica em solo brasileño.

    Ahmadinejad não é bem visto em praticamente lugar algum. Não é preciso uma exposição profunda para que se entenda as razões pelas quais o presidente iraniano conquistou a antipatia do resto do mundo. O país governado por Ahmadinejad é o segundo do mundo em execuções, perdendo só para a China. Também se aplica pena de morte a menores de idade, aos homossexuais, às mulheres adúlteras e a pessoas que ousem protestar contra o governo. A democracia iraniana sujeita-se às vontades religiosas e o processo eleitoral não é confiável.

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    Pode-se dizer que, na essência, a flagrante desobediência aos direitos humanos e aos valores democráticos – em consonância com determinados valores religiosos do país dos aiatolás – sejam os dois maiores problemas do Irã. Convenhamos, isto não é pouca coisa. Isto não deixa de ser desprezível e não deixa de ser inaceitável, principalmente quando tais fatos são analisados sob o prisma dos valores ocidentais. Mas o Irã não deixa de ser um Estado dotado de soberania e que está no mercado internacional.

    As manifestações contra a visita de Ahmadinejad já vêm de algum tempo, desde quando este marcou a visita ao país pela primeira vez. O presidente iraniano foi recebido no Itamaraty com protestos contra e a favor da sua visita, o que é comum, banal. Não deixo, contudo, de achar os dois tipos de protestos irracionais. Vejo-os da seguinte maneira: o protesto contra, de quem antipatiza (o que é compreensível) com a figura do presidente iraniano e o protesto a favor, que soa mais como uma resposta aos protestos contra do que efetivamente apoiando as atrocidades do figura. Uma resposta política, um apoio partidário à opção de Lula em receber o cidadão.

    O que me parece racional: permanecer indiferente. Sim, a visita do presidente iraniano não fede nem cheira, desde que os motivos da mesma não sejam de ordem político/ideológicas. E não o são. Quem, sinceramente, acredita que Lula esteja flertando com as opções políticas do Irã? Que Lula esteja disposto a confrontar os Estados Unidos e Israel? Que Lula queira investir no programa nuclear (bélico) iraniano? Que o Estado brasileiro esteja caminhando para o autoritarismo imposto por Ahmadinejad em seus territórios?

    É importante evitar determinados reducionismos, principalmente quando estes não correspondem, dadas as circunstâncias, ao caso em questão. O interesse do Brasil é mercadológico. O do Irã talvez não somente. Mas estes só se concretizarão se, de alguma forma, o Estado brasileiro optar por seguí-lo, o que não parece ser o caso. Estes reducionismos, acompanhados de determinadas distorções, acabam fundando determinados ataques irracionais à figura do presidente.

    Que antipatizem com Lula e argumentem racionalmente em cima disso. Mas sustentar que quem negocia com um Estado autoritário está necessariamente caminhando para a ditadura é ilógico. Dizer, ainda, que se o presidente brasileiro aperta a mão do presidente iraniano é porque é concorda com as suas políticas, também é irracional. Dizer que Lula, ao dialogar com o Irã, está em sintonia com a opinião de que não existiu holocausto beira o cômico.

    Entendam, meus caros: não se negocia só com os bonzinhos. Do alto dos meus pouquíssimos anos de experiência, já posso dizer que uma certeza eu tenho: que o mercado não é composto de Ursinhos Carinhosos. E isso ocorre entre Estados, entre grandes corporações ou simplesmente entre duas pessoas.

    Achas que é possível sustentar esta lógica? Se seguíssemos este pragmatismo sem limites, o Brasil não poderia mais negociar com os Estados Unidos, com a Arábia Saudita, com a Índia ou a China. Todos estes países vêm, de uma maneira ou de outra, afrontado direitos humanos e valores democráticos. Não por omissão ou por impossibilidade de prover o necessário para que seu povo tenha uma vida digna, mas por opção.

    No dia a dia, alguns outros exemplos. O publicitário trabalha para grandes corporações que utilizam mão de obra escrava. O advogado recebe dinheiro do traficante, do homicida, do sequestrador, do latrocida. O assessor trabalha para o político que desvia verba da saúde e da educação. O médico recebe até o último centavo do moribundo. Se você acredita que todas essas profissões são indignas e que quem as exerce é gente da pior estirpe, prepare-se para viver à margem do mercado.

    Negócios são negócios.

     
  • Roberto 22:25 on 26/10/2009 Permalink | Reply
    Tags: kindle   

    Um bocejo pelo Kindle 

    Então, todo mundo já conhece o Kindle. Meu objetivo com a assertiva anterior foi – como determinados conferencistas que, ao iniciarem sua fala, afirmam que “todos aqui já leram Feyerabend” – nivelar o debate e fazer com que alguém que não saiba o que é o Kindle se sinta deslocado. Se tu não sabe o que é o Kindle, lê aqui antes do que se trata e vai por mim, nunca, sob nenhuma hipótese, te guia pelo que diz a Época de algumas semanas atrás.

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    Calma, o problema não está na suposição de que o último livro do Paulo Coelho que tu comprou foi em formato físico e que a partir de agora tu vai ler o cara direto do Kindle. O problema é acreditar que o Kindle realmente ameaça o livro DE PAPEL.

    Mas vejamos. O que o Kindle nos oferece? Ele guarda até 1500 livros, é pouco mais fino que uma revista, baixa livros diretamente da Amazon por uma rede 3G. São umas três centenas de milhares de livros disponíveis e não me dei o trabalho de pesquisar quais são os títulos em português, mas tenho a leve impressão de que não são muitos. Os preços dos livros variam, mas parecem estar na faixa das 10 doletas. No começo do ano, alguns livros ultrapassaram essa faixa e outros chegaram a custar mais caro do que sua cópia física, o que levou os consumidores a se manifestarem no maior estilo #forasarney. O preço do Kindle é de U$ 259,00, o que convertendo para o Real e somando os impostos  chega a quase R$ 1.000,00.

    Os mais afobadinhos da era digital (argh) e masturbadores de gadgets acham que o Kindle deu um golpe de misericórdia nos livros e que a ordem é de não ressucitar. Desculpa, mates, mas vocês estão enganados. Mais fácil vocês morrerem antes dos livros.

    O Kindle apresenta suas vantagens, sim. Dentre elas, quase todas estão ali nos features da bagaça. É pequeno, é fino, tu carrega até 1500 títulos (a maioria das pessoas não tem 1/3 disso na biblioteca de casa), e tem tudo na mochila assim que precisar. É um quebra-galho danado. Mas tu não vai pagar quase mil reais por um quebra-galho se não for absurdamente necessário. Mais fácil pagar 1000 reais em 20 livros de 50 do que 1000 reais em livro algum, só no leitor. E porque o livro te proporciona algumas coisas que um leitor de ebooks não te proporciona, dentre elas o prazer de ler.

    Para um leitor voraz e bom comprador de livros, existem alguns prazeres que são insubstituíveis. E o público-alvo do Kindle é esse, sim. E é para esses que estou falando. Quem mais estaria interessado em ter 1.500 ebooks senão um apaixonado pela leitura?

    Primeiro, na escolha do livro: pegar, folhear, ler a orelha, comparar com outras obras do mesmo autor que estejam na mesma prateleira, encontrar imediatamente do lado um livro igualmente interessante, sentar numa poltrona próxima e tomar um espresso. Nada disso seria feito se tu tivesse em casa ou no escritório, com um pedaço de plástico e escolhendo livros pela internet. Que me digam os entusiastas da leitura: vocês também não sentem que pularam alguma etapa quando compram livro à distância?

    O outro está no próprio uso do livro: tu lê, grifa partes interessantes, faz algumas anotações, cola um post it, deixa na prateleira e dois anos depois pega o mesmo livro, relê as anotações, tem novos insights, escreve alguma coisa por cima, deixa lá denovo.

    Algumas pessoas insistem em argumentar que a mesma coisa ocorreu com o CD há alguns anos atrás, quando diante do mp3 e dos mp3 players. Não, não é a mesma coisa. Explico: o mp3 tinha, teve, tem potencial pra substituir o CD porque o salto não é tão grande se comparado com as vantagens obtidas. Atribuo isso a quatro fatores: a gratuidade (quem nunca baixou 10 álbuns de graça que atire a primeira pedra), a pequena diferença na qualidade, os poucos prazeres de que se abre mão e a facilidade do consumo.

    Tu não grifa um CD. Tu não escreve observações na margem da faixa 14. Tu não toma um espresso enquanto folheia páginas de um CD que estás prestes a comprar. Sim, se tu migrar para o mp3 tu acaba suprimindo o prazer de escolher CDs e de colecionar CDs, claro. Alguns sentem diferença na qualidade, eu não. Em compensação tu podes transportar todos no bolso e, quando sentir a vontade de escutar Dogs (Pink Floyd) ou Saigon (Emílio Santiago), elas estarão nas tuas mãos.

    Isso ocorre pela facilidade com a qual se consome música. Quem aí sente vontade de ler Verdade e Método (Gadamer) e depois A vida como ela é (Nelson Rodrigues) enquanto lancha em algum lugar?

    Como bem lembrou a Marina, se os livros algum dia morrerem, isso vai acontecer por falta de leitores, não por causa dos ebooks. Os ebooks já existem há um bom tempo e, melhor ainda, de graça. Mas não me recordo de alguém dizendo que deixou de comprar livros porque pôde baixar pela internet. Alguém deixa de comprar livros porque pode tirar Xerox. Denovo a questão do preço. Tu também podes me responder: é porque ler na tela do computador é um saco, já a tela do Kindle é propícia para a leitura, yada yada yada. Desculpa, seu argumento é inválido. Se tu consegues passar 5h lendo no msn e no twitter, talvez o problema não esteja na tela do computador, mas nas tuas prioridades.

    De mais a mais, com a mesma autoridade dos que proclamam a morte dos livros, eu proclamo aqui a morte do Kindle. Quem tá comigo?

     
    • marcus 09:18 on 27/10/2009 Permalink

      Eu tô.

    • kirp 12:53 on 27/10/2009 Permalink

      Um aparelho como o Kindle é, no máximo, bacana. Nada pode substituir uma estante de livros, um folhear de páginas, uma rápida leitura da orelha do livro. Nada mesmo. Livros ruins ainda servem como suporte para monitores, kindles velhos vão para o lixo.

    • Julio 12:55 on 27/10/2009 Permalink

      Tenho vontade de enfiar um exemplar de A montanha mágica no cu de quem fala que o Kindle vai substituir o livro. Porque quem fala isso, certeza, não sabe para que serve um livro.

    • Elland 12:57 on 27/10/2009 Permalink

      o/ mais um!

    • Dois Espressos 13:01 on 27/10/2009 Permalink

      Como disse no Twitter, o café instantâneo (Nescafé) não veio para substituir o café espresso, tirado na hora. Da mesma forma o Kindle não veio para substituir o livro. Acredito que cada um tem uma função específica.

    • Roberto 13:03 on 27/10/2009 Permalink

      @DoisEspressos

      Com uma pequena diferença: o Nescafé é mais barato, mais acessível e mais popular do que o espresso tirado na hora. O Kindle é mais caro, menos acessível e até então menos popular do que o livro. E não tem o potencial para se popularizar, esse é meu argumento central.

    • alexandre marques 13:43 on 27/10/2009 Permalink

      para estudar. Levar Livros pra faculdade, pro colegio, para consultar leis, artigos, certames, o kindle (e correlatos) dão um banho nos livros fisicos.
      Agora, pra deitar numa rede(poltrona) e saborear uma leitura, certamente, a leitura no papel é mais agradavel.

    • Priscila 23:34 on 27/10/2009 Permalink

      Sim, livros têm uma finalidade, Kindles têm outra, totalmente diferente. De repente para colar em uma prova de Direito, o Kindle seria extremamente útil. É algo que muitos donos de Iphone’s já têm feito. Enfim, para mim, nada substitui o prazer de andar em uma livraria, folhear os livros, dar aquela olhadela nas orelhas, etc. Nos livros de estudos, é ótimo poder fazer anotações manuais, grifar, colar post-its, tudo a favor da otimização do estudo. Como já comentado, os Kindles se destinam a situações mais pontuais. Falando por mim, não substituo um livro por um Kindle, além dos motivos que já mencionei, por não gostar de ler na tela de um computador ou qualquer outra coisa que não um livro.

    • Jaime 00:30 on 28/10/2009 Permalink

      Acho que a base da sua argumentação é válida para gente velha (idade > 20).

      Adoro livros, tenho 1178 em papel e contando. Minhas compras médias em livrarias geralmente giram em torno de R$ 300.
      Mas também tenho ~ 1,4TB em ebooks e derivados. Tudo bem, sei que tenho problemas, é que eu não tinha disquetes suficientes quando era moleque. =D

      Tenho um PRS-700 da Sony e, considerando que ele faz parte da primeira geração de e-readers, ele é foda. Tem seus defeitos, a interface não é das melhores, o touchscreen tem muito o que aprender com o Ipod, o backlight suxs, mas nada que alguns anos não resolvam.
      Suas qualidades: grifar trechos, marcar páginas e fazer anotações. Tem dois slots de expansão, um SD e um MemoryStick e toca mp3.

      Uma das qualidades conceituais dos e-readers é o encurtamento do caminho entre o autor e a publicação. A Amazon e a Sony já tem suporte para a distribuição direta, praticamente sem intermediários. Nada de ficar lambendo bolas de editoras lerem o seu manuscrito nem ficar com 1985 copias impressas da tiragem mínima seu livro abarrotando seu armário.
      Mas, se ainda estiver vivo, terei saudade dos meus amigos de papel quando eles desaparecerem.

      Mas colocar o Paulo Coelho com o Kindle é um queima-filme da porra. Isto é, entre pessoas que realmente gostam de ler coisas de qualidade.

    • Manoel Leonam 19:49 on 01/11/2009 Permalink

      Concordo que só remotamente o e-readers representam um golpe de misericórdia no livro de papel, pelo menos num futuro próximo. talvez daqui a mais um ou dois século, não sei. futurologia não é meu forte. mesmo assim, vou arriscar um palpite sobre onde essas geringonças realmente farão uma mudança em breve: no mercado de jornais e na maioria dessas revistas semanais. enfim, no jornaleiro da maneira como conhecemos. não acho que irá acabar de vez com essas formas de expressão escrita no papel, sempre haverá quem se interesse por ter em mãos uma folha suja de jornal. contudo, para esses bens de leitura mais descartáveis e de consumo quase instantâneo ele irá mudar em grande parte a forma como se distribui.
      esse é o meu palpite.

    • maria joelma mendes 17:01 on 15/11/2009 Permalink

      A maior delícia é ir a uma livraria ver aqueles livros novinhos,folhear e sentir o cheirinho,adormecer com o livro na barriga, ter a estante abarrotada deles,de vez em quando uma faxina e ficar horas relendo trechos ja´esquecidos, emprestar ou pedir emprestado, ter na mesinha da cabeceira pelo menos uns cinco,em cada lugar da casa, um livro em cima de algum móvel, ali, me convidando …e em um sebo nem se fala, encontrar aquele livro que você tanto queria ou alguma relíquia a preço de bananas. E em uma banca de jornais ?E o brilho nos olhos dos meus aluninhos, quando chego com livros para eles olharem.E a pergunta da minha filha antes de dormir;Que livro você truxe?Na terra de quem, o papel impresso vai ser substituído?

    • Ennio Rodrigues 17:32 on 06/12/2009 Permalink

      Bom, os comentários já demonstraram o quanto o assunto é polêmico, mas ainda acho que podemos ver as coisas de uma forma mais racional, prática e sustentável do que romântica e bucólica.

      Pra começar, concordo com muito do que você diz no post, principalmente nas qualidades dos leitores de livros digitais (catagoria do Kindle e afins). E essa sua frase é simplesmente ótima: “Se tu consegues passar 5h lendo no msn e no twitter, talvez o problema não esteja na tela do computador, mas nas tuas prioridades”.

      Mas acho que temos que encarar que o futuro, melhor, o presente próximo são os leitores digitais de livros.

      Preço? Quem lembra quanto custava um celular quando foi lançado ou popularizado, se preferir (porque vai ter alguém pra dizer que leitor de livros digitais não é coisa tão nova… mas atualmente é que está sendo levado a sério). Qualquer nova tecnologia é assim, começa com preço exorbitante e depois, com a relação oferta x demanda mais favorável, ele fica mais acessível.

      Momento da compra? Por favor… Ao invés de ler a orelha, leia a sinopse que tem no site. Ao invés de olhar o livro do mesmo autor ao lado, digite na barra de procura o nome do tal e aparecerá uma lista imensa. Ao invés de pegar um outro livro bacana que estava ali por perto, abaixe a página e veja os “livros relacionados”. E expresso no sofá… bem, acho que essas não são coisas exclusivas das livrarias.

      Post it, comentários, grifagem? Bom, uma pessoa aí em cima já comentou que isso também é possível em leitores digitais. Acho que a gente tem que conhecer bem o que vamos criticar, antes de sair falando. Se você tiver no seu computador um leitor de pdf e baixar um arquivo desses, vai ver que dá pra fazer isso tranquilamente. E com a vantagem de, se você se arrepender, pode apagar sem deixar marcar no seu livro. Diferentemente daquele deslize com o marca-texto que você fez sem querer no seu livro de papel predileto. Aí dá pra entrar em conservação. Digital não fica velho, nunca. Se você manter seu leitor com cuidado e ficar atento a problemas técnicos, seu livro é o mesmo hoje e daqui há 100 anos. Já impresso, sempre derrama alguma coisa, a capa fica gasta, folhas rasgam…

      Pra que 1500 livros se o cara não é apaixonado por leitura? Uai, quem disse que tem que lotar a memória? Nosso amigo aí em cima com mais de um terabyte (desculpa aí, mas duvido viu..rsrs) de livros vai ocupar fácil 1500. Mas imagina uma criança que ganha um leitor? E quando ela tiver 40 anos pode passar para seus filhos os mesmíssimos livros que leu, intáticos. Pode ter, juntos, todos os livros que leu na vida… Os livros digitais trazem inúmeras novas possibilidades.

      Preço dos livros? Como você disse, igual mp3 de graça, tem livro digital de graça.

      E sei lá, acho que você fez uma análise muito rasa dos CD e LP. Sempre existiu e ainda existe gente muito fissurada com eles. Os encartes e capas são expressões artísticas e proporcionam muito prazer para quem é realmente fã. Bom, apesar disso, o que era doce acabou.

      E eu podia falar muito mais das vantagens dos livros digitais. Pro autor, pra acessibilidade à cultura, pras editoras, pros atuais leitores, pro meio ambiente… mas já falei demais. rs.

      Como disse, ainda existe “a resistência”, gente que até hoje curte muito esse lance de encartes e capas. Os leitores de papel serão isso no futuro. Tiragem cada vez menor e que ganharam o simples status de ser impressa: “Você tem AQUELA obra impressa?”. Mas, ambiental, econômica, social e até politicamente, os livros digitais substituirão os livros de hoje.

      abraço

    • Raquel Ramos 14:48 on 10/12/2009 Permalink

      O Kindle nao irá substituir o livro assim como o CD nao substituiu o vinil.

    • Leo* 15:14 on 16/01/2010 Permalink

      O CD nao substituiu o vinil? Em que planeta??

      O Amigo ai em cima lembrou muito convenientemente que o formato digital encurta o caminho do autor à publicação. Assim, o número de títulos lançados unicamente para Kindle vai explodir nos próximos anos, forçando a compra do e-reader por quem quiser acesso a estes títulos.
      A morte dos livros físicos é impossível, mas ele vai se resumir a nichos. Impressões da área da moda. Livros de artes. Livros clássicos (Senhor dos Anéis). Edições especiais. Livros infantis (formatos e materiais diferentes).
      Mas os livros do dia-a-dia? Kindle e semelhantes. O resto dos empecilhos é só mudança de mentalidade. Que irá ocorrer. Até os puristas da atualidade perecerão diante da falta de opçoes ditada pela economia.
      Sorry!

    • Camila 14:19 on 21/01/2010 Permalink

      Eu tow contigo!!!
      Livro é muuuuuuuito melhor que o Kindle… sem dúvidas!!!

    • ?? 09:45 on 26/01/2010 Permalink

      ?????

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